Quando o maior desafio é classificar ou categorizar, o melhor mesmo é escrever na generalidade, se deixando levar pelos interesses que flutuam no instantâneo e duradouro. Apenas escrever livremente, indefinidamente. Preciso disso para começar, fazer o quê?
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Dropando nessa onda
Recentemente na Inglaterra ocorreu o que alguns chamam de onda de violência. Jovens de bairros da periferia de Londres se colocaram nas ruas e mostraram violentamente sua insatisfação pela vida que levavam (já há algum tempo, diga-se de passagem). Falando assim fica parecendo coisa de jovem deprimido, rebeldia sem causa, mas fato é que esses jovens, muitos filhos de imigrantes e desempregados, se 'organizaram' e foram às ruas saquear o que podiam. Sim, o que podiam! Muitas das lojas não tinham meios de segurança para conter possíveis 'invasores', que foram chegando e levando o que bem entenderam. Após 4 dias dessa confusão toda, alguns 'revoltosos' foram capturados pela polícia londrina e não tardou e já se falava em isolamento digital dessas pessoas como forma de punição. Aparentemente (como tudo nessa história) as redes sociais tiveram um papel importante na 'organização' desses jovens. Mas é claro! O jovem em casa, desempregado,sem expectativa de melhoria de vida, passa horas e horas do seu dia compartilhando toda sua insatisfação pelas redes sociais, sentindo-se importante e útil ali, cercado de pessoas com as mesmas insatisfações, sendo correspondido... O problema não está nas redes sociais, o problema está em serem elas as únicas formas de auto afirmação do indivíduo. Onde anda a esperança? No Criança Esperança?! O jovem, diferente dessas crianças esperanças (sacanagem da Xuxa!) tem observado mais, é crítico e tem sentido as rédeas que o impedem de avançar produtivamente, sem favorecer a exploração do homem pelo homem... Mas é só colocar os pés fora de casa que é isso que vamos ver! Ou começamos a naturalizar essa condição que nos é enfiada de guela abaixo pelo capitalismo ou vamos às ruas e nos expressamos como podemos. O que deve incomodar é que as redes sociais são alimentadas na sua grande parte pelos jovens de condições sociais diferentes e que essas mesmas redes sociais tem gerado lucro para grandes empresas privadas. Não sei porque de tanto horror! Tudo é motivo pra sensacionalismo nessa mídia que já nem sabe o que oferecer como informação 'saudável'. A arte e a cultura têm sido para além de um refúgio, a forma de se organizar, mesmo como guerrilhas, e ir às ruas levantar bandeiras, estufar o peito e sorrir mesmo quando a música, a incenação e as cores são de dor, isso porque há luta! Travo uma luta dentro de mim todos os dias e vez ou outra ela derrama e se mistura com as lutas de outros jovens de espírito, com desejo de ver um mundo mais solidário (sem essa de ligue para doar!) e com trabalho digno para se viver.
Assinar:
Comentários (Atom)